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segunda-feira, 14 de março de 2016

Ciclos e Subversões

É impossível olhar para o cristianismo do século XXI sem lembrar da sua trajetória. Depois de reformas, avivamentos e perseguições, muita coisa mudou. A cultura muda, as gerações mudam — e isso sempre impactou a fé.

No século III, cristãos eram presos, apedrejados, mortos nas arenas e lançados aos leões. Com o Édito de Milão, promulgado por Constantino, a perseguição cessou. Mais tarde, sob Teodósio I, o cristianismo se tornou religião oficial do Império.

O que era perseguido tornou-se predominante. E essa virada teve um preço: poder político, imposição religiosa e a mistura de dogmas e práticas que não faziam parte da simplicidade original do evangelho. Do primeiro ao terceiro século, diversos fatores já influenciavam a transformação da doutrina ensinada por Cristo.

E hoje? O cenário não é tão diferente do que já havia sido alertado por Paulo, Pedro, João e pelo próprio Cristo.

Vemos líderes que moldam a mensagem ao gosto do público, como previsto em 2 Timóteo 4:3. Comunidades que se ajustam à cultura e à política, em vez de viverem o chamado de Romanos 12:2. Multidões que preferem os palcos à cruz, a visibilidade ao serviço, o espetáculo ao cuidado com os pobres e aflitos.

Há muitos eventos, luzes, câmeras, discursos sobre milagres e prosperidade — mas pouco fruto do Espírito. Profetas que anunciam visões, mas falham em amar a própria família. Um “evangelho” de trocas: eu dou, Deus me devolve. Templos grandiosos, programas de TV, promessas de sucesso terreno.

Nada disso é surpresa. As Escrituras já advertiam.

A porta continua estreita. A vida continua exigindo renúncia. Seguir Cristo ainda significa negar a si mesmo, tomar a cruz diariamente, servir, ser o menor, ir para o fim da fila.

No meio do ruído, ainda existem remanescentes. Silenciosos, fiéis, firmes — não no palco, mas na cruz.