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terça-feira, 23 de junho de 2015

O reino e suas moradas

Enquanto Jesus anunciava um Reino de amor, muitos esperavam um império de força. Queriam um rei político, um general capaz de derrotar Roma e restaurar o poder de Israel. Diante de alguém que falava de perdão, serviço e cruz, preferiram a decepção. E o deixaram morrer — porque não correspondia às suas expectativas.

Poucos creram. E somente com a ação do Espírito compreenderam: o Reino havia sido inaugurado, mas não nos moldes deste mundo. Está presente, mas não se esgota aqui

Enquanto muitos aguardavam poder, Jesus se revelou como irmão. Não veio conquistar Roma, mas resgatar corações. Não veio ocupar o trono de César, mas confrontar o trono do ego.

Ele aponta para a casa do Pai, para uma realidade eterna. Mas nós insistimos em construir versões religiosas de poder aqui: política “gospel”, cultura “gospel”, influência “gospel”. Como se o Reino pudesse ser reduzido a rótulos e estruturas.

Roma dominou pelo poder. Babilônia dominou pelo poder. Israel sonhou em dominar pelo poder.
Hoje, parte do cristianismo também sonha com poder.

Percebe o padrão?

Talvez a grande tentação nunca tenha sido abandonar Deus, mas usar Deus como meio de domínio. Preferir influência a serviço. Controle a cruz.

O Reino que Jesus anunciou não se impõe — se oferece. Não cresce pela força — cresce pelo amor.

A pergunta permanece: queremos o Reino de Cristo… ou apenas o poder que imaginamos que ele deveria ter?

Fora do amor não é possível a vida

Em Evangelho de Lucas 10, Jesus já era conhecido. Curava, ensinava, confrontava. Era amado pelo povo e questionado pelos líderes religiosos. Sentava-se com pecadores, tocava feridos, curava no sábado. Para muitos mestres da Lei, isso era inaceitável — colocavam a regra acima da misericórdia.

Então, um perito na lei o testa:
“Que farei para herdar a vida eterna?”

Jesus responde com outra pergunta: “O que está escrito? Como você lê?”

O homem resume a Lei com precisão: amar a Deus sobre tudo e ao próximo como a si mesmo.
Jesus confirma: “Você respondeu corretamente. Faça isso — e viverá.”

Mas ali está o ponto central: viver.
A vida eterna não começa depois da morte; começa onde o amor começa.

O doutor da lei, tentando se justificar, pergunta: “E quem é o meu próximo?”
Ele queria limites. Queria saber até onde sua responsabilidade ia. Queria uma definição confortável.

Jesus muda a pergunta.
Em vez de “quem é o próximo?”, Ele conta a história do homem ferido na estrada.

Um sacerdote vê — e passa.
Um levita vê — e passa.
Eles não ignoram por falta de visão, mas por falta de disposição. Ver não é o mesmo que amar.

Quantas vezes fazemos o mesmo?
Desviamos o olhar para não assumir responsabilidade. Fingimos que não é conosco.

Então surge o improvável: um samaritano — alguém desprezado culturalmente. Ele vê e sente compaixão. Não calcula riscos, não mede conveniência. Ele simplesmente ama. Cuida das feridas. Paga o preço. Fica vulnerável.

Jesus encerra perguntando: “Qual deles foi o próximo?”

Percebe a inversão?
A questão nunca foi identificar quem merece amor. A questão é tornar-se amor onde há dor.

Se procuramos limites para amar, talvez ainda não tenhamos entendido o amor. O amor não trabalha com fronteiras. Ele não pergunta “até onde?”, mas “como posso servir?”.

E há consolo nisso. Porque o mesmo Cristo que nos chama a ser próximos é Aquele que se aproximou de nós quando estávamos caídos à beira do caminho.

Ele nos viu.
Ele não passou de largo.
Ele pagou o preço.

Se Deus é amor, então nunca estamos sozinhos na estrada. E, quando somos alcançados por esse amor, descobrimos que amar deixa de ser obrigação — e se torna resposta.



Fonte de inspiração: https://www.youtube.com/watch?v=j-cJVFWOupc  (10 min)



Todos caminhos á Roma, e somente um a Deus

Jesus pregava e afirmava ser o Messias anunciado pelos profetas. Realizava milagres, ensinava com autoridade, reunia multidões.

Então surge a pergunta inevitável:
se Ele dizia a verdade, por que não foi aceito?

Talvez a resposta esteja na expectativa.

O povo de Israel esperava um Messias político. Um líder forte, estratégico, capaz de enfrentar Roma, restaurar o trono de Israel e devolver o esplendor nacional. Esperavam um governante. Um libertador militar. Um chefe de Estado.

Mas Jesus não levantou exércitos.
Levantou consciências.

Ele falava de Reino — mas não de um território. Falava de conversão, não de conquista. Sua revolução não começava nos palácios, mas no coração.

E isso desconcerta.

Para os romanos, qualquer discurso sobre “reino” soava político. Mesmo que Jesus falasse do Reino dos Céus, o imaginário romano só conhecia reinos terrenos. Poder, domínio, controle.

Para a elite religiosa, Ele era perigoso porque expunha hipocrisias.
Para Roma, poderia se tornar perigoso porque despertava o povo.

Seus milagres libertavam.
Suas curas restauravam dignidade.
A multiplicação do pão questionava desigualdades.

Não era apenas espiritualidade — era transformação social.

Então, a questão talvez não seja:
“Por que não aceitaram Jesus?”

Mas outra, mais profunda:
Quando Deus se manifesta de forma diferente da nossa expectativa, somos capazes de reconhecê-Lo?

Esperamos um salvador que confirme nossas ideias — ou estamos dispostos a seguir um Reino que começa dentro de nós?