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terça-feira, 23 de junho de 2015

Fora do amor não é possível a vida

Em Evangelho de Lucas 10, Jesus já era conhecido. Curava, ensinava, confrontava. Era amado pelo povo e questionado pelos líderes religiosos. Sentava-se com pecadores, tocava feridos, curava no sábado. Para muitos mestres da Lei, isso era inaceitável — colocavam a regra acima da misericórdia.

Então, um perito na lei o testa:
“Que farei para herdar a vida eterna?”

Jesus responde com outra pergunta: “O que está escrito? Como você lê?”

O homem resume a Lei com precisão: amar a Deus sobre tudo e ao próximo como a si mesmo.
Jesus confirma: “Você respondeu corretamente. Faça isso — e viverá.”

Mas ali está o ponto central: viver.
A vida eterna não começa depois da morte; começa onde o amor começa.

O doutor da lei, tentando se justificar, pergunta: “E quem é o meu próximo?”
Ele queria limites. Queria saber até onde sua responsabilidade ia. Queria uma definição confortável.

Jesus muda a pergunta.
Em vez de “quem é o próximo?”, Ele conta a história do homem ferido na estrada.

Um sacerdote vê — e passa.
Um levita vê — e passa.
Eles não ignoram por falta de visão, mas por falta de disposição. Ver não é o mesmo que amar.

Quantas vezes fazemos o mesmo?
Desviamos o olhar para não assumir responsabilidade. Fingimos que não é conosco.

Então surge o improvável: um samaritano — alguém desprezado culturalmente. Ele vê e sente compaixão. Não calcula riscos, não mede conveniência. Ele simplesmente ama. Cuida das feridas. Paga o preço. Fica vulnerável.

Jesus encerra perguntando: “Qual deles foi o próximo?”

Percebe a inversão?
A questão nunca foi identificar quem merece amor. A questão é tornar-se amor onde há dor.

Se procuramos limites para amar, talvez ainda não tenhamos entendido o amor. O amor não trabalha com fronteiras. Ele não pergunta “até onde?”, mas “como posso servir?”.

E há consolo nisso. Porque o mesmo Cristo que nos chama a ser próximos é Aquele que se aproximou de nós quando estávamos caídos à beira do caminho.

Ele nos viu.
Ele não passou de largo.
Ele pagou o preço.

Se Deus é amor, então nunca estamos sozinhos na estrada. E, quando somos alcançados por esse amor, descobrimos que amar deixa de ser obrigação — e se torna resposta.



Fonte de inspiração: https://www.youtube.com/watch?v=j-cJVFWOupc  (10 min)



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